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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Rodoanel

Parque Ibirapuera, em São Paulo, recebe animais expulsos pelo Rodoanel


Segundo os biólogos da divisão, não era comum chegarem animais silvestres daquela região. Depois que as obras começaram, os bichos feridos vindos de lá já representam 4,7% de todos os atendidos no período.

Quando o gavião-carcará chegou à Divisão de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre - uma espécie de hospital de animais ligado à Prefeitura de São Paulo, dentro do parque Ibirapuera - recebeu uma ficha clínica que registrou, dentre outros dados, sua origem (lote 5 do trecho sul do Rodoanel), histórico (parou de voar depois de trombar contra um caminhão) e data de entrada (sexta-feira, 12 de março).Era o 39.519º animal atendido no lugar e um dos 221 que chegaram ali vindos das obras do trecho sul do Rodoanel.

Segundo os biólogos da divisão, não era comum chegarem animais silvestres daquela região. Depois que as obras começaram, os bichos feridos vindos de lá já representam 4,7% de todos os atendidos no período.


"Este lugar é um termômetro do que está acontecendo na cidade", diz a bióloga Brígida Fries. Grandes obras, como a reforma na marginal Tietê e a do Rodoanel, causam impacto e aumentam atendimentos do centro de tratamento.


O problema é que algumas daquelas espécies correm risco de extinção local, se perderem seu habitat. É o caso dos bugios, preguiças-de-três-dedos, quatis e cuícas, além de aves como o juriti-piranga, cuiú-cuiú e tucano-do-bico-verde, que foram trazidas das obras do Rodoanel. Aves migratórias e filhotes sofrem impacto maior.


A Dersa não informou o número de animais silvestres atendidos nem como avalia o impacto do Rodoanel na fauna silvestre. Disse apenas que o projeto é "muito complexo" e que os animais são encaminhados para vários centros.


Hospital de animais - No centro de tratamento do parque Ibirapuera, os animais silvestres recebem medicamentos, passam por reabilitações pós-cirúrgicas e depois são soltos na natureza (49%) ou enviados a cativeiro (14%). Um terço não sobrevive.


Como num hospital, eles fazem exames e têm horário para banho de sol. Antes de terem uma destinação, os "pacientes" ficam de uma semana a vários meses em tratamento, dormindo em gaiolas separadas.


Quando precisam de uma reabilitação maior, vão para a outra sede do centro, no parque Anhanguera. É o caso de corujas e gaviões que precisam reaprender a voar ou a caçar.


A reportagem viu saguis, bugios, tartarugas e uma maioria esmagadora de aves - inclusive o gavião-carcará, que foi entregue por uma veterinária da Dersa na presença da Folha.


O centro comporta pouco mais de 500 animais e não recebe espécies domésticas, nem animais que não estejam feridos ou doentes. Já recebeu 9.446 ameaçados de extinção

Sacolas plásticas

A Rede de Farmácias SESI está substituindo suas sacolas plásticas comuns por oxi-biodegradáveis e lança a sacola 100% algodão. A iniciativa da substituição representa uma redução no tempo de degradação do material em cerca de 100 anos, diminuição da quantidade de lixo que fica depositada no ambiente e preservação das reservas de petróleo, material fonte dos plásticos comuns.


A iniciativa faz parte da responsabilidade social corporativa do SESI/SC e foi lançada em junho, mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente.


Como a Rede de Farmácias do SESI do Estado realiza 600 mil atendimentos mensais, a troca de produtos, considerando apenas o tempo de degradação, já representa uma diferença de um século por sacola distribuída, no impacto ambiental. Embora tenha aparência física semelhante ao plástico comum, o oxi-biodegradável recebe em sua composição um aditivo que faz com que o plástico seja reintegrado totalmente ao meio ambiente no período de 6 meses a 2 anos. Além disso, o petróleo é preservado porque este plástico oxi-biodegradável utiliza plástico reciclado.


O SESI/SC é uma das 150 empresas brasileiras que utilizam o plástico biodegradável, um número ainda pequeno se comparado à utilização do plástico comum. Por ano são produzidas 210 mil toneladas de plástico filme (das sacolas comuns), o que representa 9,7% de todo o lixo no país.


Como 90% das sacolas plásticas vão para o lixo, conforme estatísticas divulgadas pela Revista Ciência do Ambiente On Line, geram problemas adicionais como entupimento de bueiros, dificuldade no escoamento da água da chuva e enchentes. Quando são levados para lixões e aterros sanitários, formam uma camada impermeável que prejudica o processo de biodegradação da matéria orgânica.


Outra ação de responsabilidade social corporativa da Rede de Farmácias SESI/SC, também para preservar o meio ambiente, é o lançamento da sacola ecológica confeccionada em 100% algodão. O objetivo é substituir a sacola plástica sempre que possível.


“É uma sacola resistente, dobrável e lavável, que pode ser carregada na bolsa ou no carro. Ela pode ser utilizada nas compras de qualquer estabelecimento comercial, diminuindo consideravelmente o consumo de plástico. Ações como essa, tiveram Joinville como cidade precursora do país”, explica o superintendente do SESI/SC, Sergio Gargioni.


Ações Globais:


Vários países tomam iniciativas quanto à produção e ao gasto descontrolado de sacolas plásticas. A Irlanda foi a pioneira a agir nessa direção, em 2002. Ela criou o Plastax, um imposto que cobra 0,15 € por cada sacola distribuída.


O valor arrecadado é revertido em projetos ambientais. Cidades alemãs também cobram os sacos plásticos do consumidor. São Francisco é a primeira cidade norte-americana a aprovar um projeto de lei que impede o uso de sacolas plásticas por grandes redes de supermercados e farmácias.


A medida, que ainda depende da sanção do prefeito, deve reduzir o consumo de petróleo da cidade em 3 milhões de litros por ano. Na Espanha, Polônia, Brasil e França a distribuição das sacolas plásticas comuns é gratuita, mas já há um movimento para tentar substituir por plásticos biodegradáveis. A Itália e a França, até 2010, estarão na lista das nações que proíbem o uso de sacolas de plástico.

Reciclagem de pneus


Desde 1999, as indústrias de pneus brasileiras têm que dar uma destinação ambientalmente correta para os pneus usados, graças à resolução 258 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Desde então, as empresas são obrigadas a correr atrás para tentar conseguir aproveitar e sistematizar a coleta de pneus.

Na natureza, o passivo ambiental de um pneu é caro. O produto pode demorar muito para se decompor naturalmente. As estimativas chegam a 600 anos até ele virar pó (Fonte: Recicláveis.com). Além disso, quando queimado ao ar livre, o pneu solta uma fedorenta fumaça negra, que obviamente é poluente. No leito dos rios, eles atrapalham o fluxo natural das águas. E jogar pneu fora, em qualquer lugar, depois de recauchutá-lo várias vezes, parece ser uma prática indiscriminada. Apesar de não haver um dado oficial ou sistematicamente pesquisado, as estimativas são de 30 milhões de pneus jogados por ano (Fonte: Akatu). De qualquer modo, somente na limpeza do rio Tietê, entre 2002 e 2006, 120 mil pneus foram encontrados jogados nas águas poluídas do rio paulista (Fonte: Estadão). Aliás, os pneus cheios de água foram considerados os grandes demônios da época da dengue.


São 30 milhões de pneus jogados fora todos os anos no Brasil


Do outro lado, o Brasil é um grande reformador de pneus, só perdendo para os Estados Unidos em termos de faturamento e volume. O setor gera uma receita de R$ 5,6 bilhões ao ano (dados de 2007). São 7,6 milhões pneus reformados para caminhões e ônibus, 8 milhões para automóveis, 2 milhões para motos e 300 mil para veículos agrícolas ou off roads anualmente, num total de 17,9 milhões, segundo a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR). Cerca da metade dos pneus usados é reaproveitada, são os chamados pneus meia-vida. Levando em conta o valor de 63 milhões de pneus novos produzidos por ano (Fonte: Anip - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), é como se o Brasil conseguisse reformar bem menos da metade, ou 28%, do que é produzido por ano.

Entre as razões para o sucesso da reforma ou recauchutagem, obviamente, está o poder aquisitivo, ou melhor, a falta de poder aquisitivo do brasileiro. Aliás, a reforma de pneus tornou-se um questão política, provocando a conhecida “guerra dos pneus”, que será explicada nas próximas páginas.

De qualquer modo, há ainda o chamado pneu inservível, que não pode ser recauchutado ou reformado. Uma destinação para ele é o grande desafio não só no Brasil como no resto do mundo. Segundo a Anip, desde a publicação da resolução, em 1999, até 2007, foram 700 mil toneladas de pneus reaproveitados de várias formas (como componente energético, matéria-prima para outros produtos etc.). Esse número equivale a 139 milhões de pneus de automóveis, o que dá cerca de 18 milhões por ano. Obviamente, ainda é muito pouco, se lembrarmos a estimativa de 30 milhões de pneus jogados fora por ano.

Como é possível ver, a situação não é fácil, mas os caminhos estão aí. Bom, de qualquer modo, é importante conhecer um pouco desses processos e também a polêmica história da Guerra dos pneus.