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terça-feira, 6 de setembro de 2011

O mais famoso esporte global quer ser sustentável



A Comissão de Turismo e Desporto debateu as providências do Brasil para realizar uma "Copa Verde".

O Brasil quer garantir sustentabilidade ambiental, social e econômica para a Copa de 2014. A chamada "Copa Verde" foi debatida em audiência pública da Comissão de Turismo e Desporto, nesta quarta-feira.

Desde a Copa de 2006, na Alemanha, a Federação Internacional das Associações de Futebol (Fifa) obriga o país-sede a adotar medidas ambientalmente sustentáveis que privilegiem, por exemplo, a mobilidade urbana e a redução do consumo de água e energia.

O diretor do Departamento de Articulação e de Ações na Amazônia da Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Suarez, disse que o governo brasileiro já iniciou uma agenda integrada de ações, que também contemplam a cúpula ambiental Rio + 20, prevista para 2012, a Copa das Confederações, em 2013, e as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Suarez destacou algumas dessas ações: certificação de estádios para que tenham aproveitamento de água da chuva; aproveitamento ao máximo da energia solar e da ventilação natural; acessibilidade para pessoas portadoras de qualquer necessidade especial; cidades sustentáveis; mobilidade urbana; e a questão da produção, compras e consumo sustentáveis.

“Também está em discussão a questão da Copa Orgânica, que envolve da agricultura familiar aos produtores orgânicos e também os grandes empresários”, acrescenta. “Nós queremos chegar ao nível de 30% de consumo de produtos orgânicos. E isso é para o País, não é só para a Copa. Isso é para ficar."

Obras prioritárias

Em relação à agenda de ações citada por Roberto Suarez, destacam-se as reuniões para o detalhamento da Copa Orgânica (em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário) e para tratar da recepção aos turistas nos parques nacionais.

Também já foram realizadas oficinas para discutir o licenciamento ambiental de obras prioritárias. Segundo Suarez, as temáticas contempladas nas ações do MMA também dizem respeito a: energias sustentáveis, mudança climática, patrimônio natural e cultural e turismo ecológico.

As ações, coordenadas pelos ministérios do Esporte e do Meio Ambiente, também privilegiam escolhas sustentáveis na construção ou reforma de estádios nas 12 cidades-sedes da Copa de 2014.

Resíduos sólidos

De acordo com a Associação Ambiental Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), os entulhos de obra normalmente representam de 50% a 70% do total de resíduos sólidos produzidos nas grandes cidades. Com a Copa, esse percentual tende a aumentar significativamente. A representante da Associação, Paula Freitas, sugeriu, por exemplo, a reutilização ou reciclagem do ferro, madeira, plástico e papel encontrados nesses entulhos.

Para a ONG SOS Mata Atlântica, o Brasil também deve aproveitar a Copa para investir em turismo ecológico. No entanto, o diretor da ONG, Mário Mantovani, pediu transparência e responsabilidade das autoridades nos processos de licenciamento ambiental dos vários empreendimentos previstos.

Segundo ele, é preciso atuar de uma maneira lógica, executando as ações com as responsabilidades compartilhadas. “Porque daí não vai acontecer de chegar, dois anos antes da Copa, e dizer: 'Não sai a licença ambiental. Não fazem o processo bem feito, com transparência, as licitações são viciadas, há corrupção e, depois, o meio ambiente leva a culpa. É a questão da transparência e da participação."

A presidente da comissão, deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO), elogiou as iniciativas da Copa Verde, mas alertou quanto ao atraso, sobretudo em relação às obras de infraestrutura e de mobilidade urbana. Todos os especialistas destacaram que o conceito de sustentabilidade deve estar presente em cada obra, desde o projeto básico.

“SERÁ QUE O PAÍS DO FUTEBOL FINALMENTE MOSTRARÁ AO MUNDO SEU POTENCIAL SUSTENTÁVEL ?”

Relação da poluição e das doenças no Brasil

Apesar do Brasil não ter locais com alta concentração de poluentes como ocorria em Cubatão e na região do ABC, todas as cidades passam por uma exposição diária originada da circulação de carros e caminhões. Mesmo com a melhoria da qualidade dos carros e dos combustíveis, o aumento do número de carros nas cidades brasileiras é contínuo na última década. A maioria dos estudos são realizados em São Paulo, onde se destaca o Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Nos últimos dez anos foram descritas várias situações importantes onde poluentes se associam diretamente a doenças.

1 – aumento de 11% nas internações por asma na cidade de Araraquara durante a queima da cana. (J. Epidemiol Community Health. 2007 May;61(5):395-400);

2 – aumento de 10 microg/m3 de material particulado fino associou-se em São Paulo com 5% mais internações por asma em crianças, 4% de doença pulmonar obstrutiva crônica em adultos e 1,5% por doença coronariana. (Cad Saúde Pública. 2006 Dec;22(12):2669-77);

3 – aumento de derivados de enxofre associou-se a 15% do aumento de internações por infarto agudo do miocárdio em São Paulo. (Revista Saúde Pública. 2006 Jun;40(3):414-9);

4 – aumento de 24,7 mg/m3 da concentração de material particulado associou-se a aumento de 10% nas internações por pneumonia em São José dos Campos. (Revista Saúde Pública. 2006 Feb;40(1):77-82.);

5 – ozônio foi o poluente melhor associado à incidência de câncer de laringe e pulmão. (J. Air Waste Manag Assoc. 2005 Jan;55(1):83-7.);

6 – o aumento de monóxido de carbono CO (1.1 p.p.m.) foi associado com aumento de 3 mmHg na pressão arterial sistólica (máxima) entre os controladores de tráfego da cidade de São Paulo (os marronzinhos);

7 – o efeito da poluição não é igual na cidade de São Paulo, porque as áreas mais pobres são mais afetadas pelo efeito nocivo de poluentes. (J Epidemiol Community Health. 2004 Jan;58(1):41-6);

8 – um aumento de 1 ppm na exposição ao monóxido de carbono durante o primeiro trimestre de gravidez induz a uma redução estimada de 23g no peso ao nascimento. (J Epidemiol Community Health. 2004 Jan;58(1):11-7);

9 – ozônio e derivados do enxofre associaram-se a 20% de aumento de casos descompensados da doença pulmonar obstrutiva crônica. (J Occup Environ Med. 2002 Jul;44(7):622-7.);

10 – monóxido, ozônio e derivados de enxofre se associam com mortalidade infantil em São Paulo. (Environ Health Perspect. 2001 Jun;109 Suppl 3:347-50).

Concluindo

O estado de São Paulo está correto em processar a Petrobrás exigindo redução de enxofre no diesel que abastece os caminhões? Esse mesmo estado não deveria proibir a queima da cana? Sim, essa é resposta simples a essa questão cada vez mais importante. Quantas vidas poderemos salvar reduzindo o enxofre no diesel?

A Resolução 315, de 2002, do Conselho Nacional de Meio Ambiente, estipula que, a partir de janeiro de 2009, o diesel comercializado no País tenha concentração máxima de 50 partes por milhão de enxofre. Na Europa, a concentração permitida é de 10 a 50 partes por milhão (ppm) - em 2009, será de 10 ppm. No Brasil, varia hoje entre 500 ppm no combustível comercializado em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e outros 234 municípios, a 2.000 ppm nas mais de 5.300 cidades restantes. Além dos estudos acima, o já citado Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo calcula que a poluição na região metropolitana de São Paulo promova a morte precoce de 2 mil pessoas por ano. O custo dos danos à saúde chega a US$ 1 bilhão ao ano quando o resultado é extrapolado para as maiores capitais brasileiras.

Qual a realidade nas grandes cidades brasileiras?

Hoje, ao contrário de Cubatão onde havia menos de 300 fontes primárias de poluição, em cidades como São Paulo o número de fontes primárias é contado aos milhões: carros, ônibus e caminhões que circulam o tempo inteiro pela cidade. Isso mostra a dificuldade para controlar a poluição ambiental em grandes centros urbanos e o desafio que nos espera nos próximos anos.

Brasil em ação ou apenas poluição?

ONU elege Brasil campeão em energias sustentáveis

A Unep (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) divulgou recentemente o relatório “Tendências Globais de Investimentos em Energias Sustentáveis 2009″ que aborda investimento em tecnologia por região geográfica, as perspectivas do uso de energias sustentáveis, os fundos de investimento, alem de fazer uma avaliação individual dos países em desenvolvimento, informa o Boletim do Escritório do Carbono, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

O Brasil foi considerado campeão mundial no uso de energias renováveis, visto que 46% de toda a energia consumida no pais e proveniente de fontes limpas, onde se destacam a hidroeletricidade e os biocombustíveis. Algumas ações brasileiras foram destacadas, tais como, a utilização de 25% de etanol na gasolina, produção de automóveis do tipo flex fuel (bicombustíveis) representando 90% dos carros novos e adição de 2% de biodiesel ao diesel com previsão de aumento para 5% em 2013.

O Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) que consta do Plano Nacional de Mudança do Clima, também foi citado pelo relatório como um importante instrumento de incentivo para o uso de energia eólica e de biomassa. O relatório está disponível no site da UNEP

http:// www.unep.org. (Fonte: Portal Terra)

Sustentabilidade ou a mediocridade?

Quando pensamos em Brasil o que logo nos vem a mente é a nossa abundancia ambiental, quando se falamos em Brasil logo se fala de mata, fauna e flora, nesses dois artigos encontrei divergentes fatores que ocorrem no nosso país nos fazendo levantar uma grande questão: O Brasil é ou não ecológico ? Nós fazemos ou não a nossa parte? O nosso governo é ou não preocupado com este assunto? Será que apenas o governo deve se preocupar ou isto é um problema de todos?

Essas são questões que devemos parar e analisar, e ver as duas faces da moeda. De um lado temos aquele Brasil sustentável que é campeão em energia sustentável e que procura melhores recursos para desenvolvimento de tecnologias funcionais que não agridem o meio ambiente e de outro temos o Brasil totalmente preocupado com status e capital que não liga para o meio ambiente o que polui, maltrata, denigre e adoece a mata.

Hoje em dia a população tem um pensamento defasado sobre o certo e o errado em termos de sustentabilidade, então qual seria a solução para esse nosso problema? Tudo começa em casa, uma vez em que os pais educam seus filhos a favor do meio, eles crescem e levam isso a diante, mas quando se criam pessoas que não tem essa consciência, se “cava a própria cova”. Precisamos estar alertas para o nosso país, nosso planeta e fazer a nossa parte, precisamos parar de pensar que uma pessoa não faz a diferença porque faz, precisamos parar de pensar e agir.

Reflita e mentalize a seguinte pergunta:

“Será que eu como indivíduo estou fazendo algo pelo nosso meio ambiente ? Como posso eu ajudar a reerguer uma utilização correta de recursos naturais?”